Milhares de pessoas dependem todos os dias de medicamentos para garantirem o mínimo de seu bem estar e qualidade de vida em todo o mundo. Mas quando será que o recurso da medicação se torna nocivo? Dá uma olhada!
O que é hipocondria?
A hipocondria é a preocupação, medo ou a ideia de sofrer de uma enfermidade com base numa interpretação errônea de sintomas e funções corporais, em que o indivíduo teme sofrer uma doença grave, com um senso de urgência e desespero. Mesmo com avaliação e garantias médicas apropriadas, os hipocondríacos sofrem com preocupações não-delirantes de doença grave baseadas nas interpretações equivocadas dos sintomas somáticos, um prejuízo cuja duração mínima pode ser de seis meses. O tópico ganhou relevância clínica com o estabelecimento do Transtorno de Ansiedade de Doença pelo DSM-V.
Dessa forma, a hipocondria é um medo constante de adoecer, pois o hipocondríaco acredita que possui pelo menos uma doença física grave, progressiva e com sintomas determinados ainda que exames laboratoriais e consultas com vários médicos assegurem que nada exista.
Geralmente o hipocondríaco possui grande sensibilidade para identificar sinais do corpo que passariam despercebidos para a maioria das pessoas, tendo a impressão de que qualquer dor ou desconforto é um sinal de doença grave. São indivíduos que tomam remédios com frequência, muitas vezes sem prescrição médica, consultam vários médicos apesar de vários deles terem feito o mesmo diagnóstico com base nos resultados dos exames e vive sob suspeita constante de ter alguma enfermidade grave. Ao procurarem os serviços de saúde, apresentam compulsão por conversar com pessoas doentes para comparar sintomas e possuem pouca resiliência frente aos mal-estares.
Transtorno de ansiedade de doença
O transtorno de ansiedade de doença, como é chamado o termo clínica para a hipocondria, é frequente e possui íntima relação com o transtorno do pânico. Cerca de 4 a 6% dos indivíduos que buscam atendimentos médicos são por conta da hipocondria.
Nesse transtorno, a pessoa passa a se sentir doente sem motivo, e pode ser entendido como um pedido de atenção. Sua manifestação é reconhecida na adolescência, e passa a ser mais frequente a partir da quarta ou quinta década de vida.
Síndrome de Munchausen
A síndrome de Munchausen é uma doença psiquiátrica em que o paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca ou simula sintomas de doenças com a intenção de obter cuidados médicos e de enfermagem. O indivíduo afetado exagera ou cria sintomas nela mesma para ganhar atenção, tratamento e simpatia.
A diferença entre o hipocondríaco e a síndrome de Munchausen é que nesta última o paciente sabe que está exagerando, enquanto o hipocondríaco não.
Consequências da hipocondria
A crença constante de que há algo de errado com o corpo interfere no dia a dia do indivíduo, causando angústia e depressão. A doença pode ser imaginária, mas o sofrimento é verdadeiro. Os quadros podem perdurar por anos devido a falta de interesse dos profissionais de saúde pelas queixas do hipocondríaco, já que estes não apresentam um conjunto claro de sintomas.
O problema pode ser tão sério, a ponto de os hipocondríacos insistirem tanto que estão doentes que podem acabar convencendo os médicos, os quais acabam cedendo às queixas do paciente.
O hipocondríaco pode ser assolado por angústias de morte diante da sua permanente desconfiança em relação ao corpo, convicto de que algum mal mortal tenha se instalado nele. É um desespero diante de uma suposta iminência de morte que afeta a qualidade de vida do indivíduo de forma significativa.
Como reconhecer a hipocondria?
Um teste chamado Índice de Whiteley foi desenvolvido para avaliar mundialmente a possibilidade de diagnóstico da hipocondria, através de várias perguntas feitas ao paciente, dentre elas:
- Preocupa-se o tempo todo com a possibilidade de alguma doença séria?
- Sofre de dores e sintomas variados?
- Presta muita atenção a tudo que acontece no seu corpo?
- Está muito preocupado com a saúde?
- Tem sintomas de doenças muito graves com frequência?
- Ao ser informado de alguma doença grave (pela mídia), preocupa-se com a possibilidade de adoecer?
- Quando está doente, preocupa-se e incomoda-se se alguém diz que você já está melhor?
- Está acometido com sintomas diferentes?
- Costuma até duvidar de si mesmo e buscar outras razões?
- Custa a acreditar no médico quando ele afirma que você não tem nenhuma doença?
- Tem a sensação de que as pessoas não levam a sério a sua doença?
- Tem convicção de que a sua preocupação com saúde é maior que a dos amigos?
- Acredita que há algo no seu corpo que está funcionando mal?
- Tem medo de alguma doença?
Tratamento da hipocondria
Um dos melhores tratamentos atuais para hipocondríacos é a terapia cognitivo-comportamental, pois foca em cessar condutas prejudiciais, substituindo-as por padrões de comportamento saudáveis. Algumas vezes direciona-se o paciente para a exposição aos seus medos irracionais.
A hipnose pode ser um meio de o indivíduo entrar em contato com o medo da morte e de ter uma doença grave em um ambiente controlado, permitindo ressignificar a sua relação com as sensações de seu corpo, já que os tais “sintomas” se dão apenas a partir de uma interpretação errônea das sensações físicas normais, como distensão abdominal, cãibras e desconfortos, palpitações e sudorese.
O tratamento médico e psiquiátrico também tem um importante papel no tratamento da hipocondria, pois são os médicos que podem dar o diagnóstico de hipocondria e acompanham ao longo de consultas e sessões a diminuição da ansiedade do paciente, seja pela recepção da atenção desejada ou pela intervenção terapêutica. Antidepressivos como os inibidores de recaptação da serotonina podem contribuir para o tratamento de hipocondríacos, e os pacientes podem, em muito, se beneficiar de um relacionamento de confiança, atencioso e tranquilizador com seu médico.
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Referências:
DIB, M. et al. Transtorno do pânico e hipocondria. J. bras. psiquiatr. 2006;55(1).
Jornal do Senado. Hipocondria: transtorno gera sofrimento. Especial Cidadania. 2009.
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